Apesar de menos comum que os cânceres de próstata, pulmão e cólon retal, por exemplo, o câncer renal tem merecido ainda mais atenção nos últimos meses. Isso porque a descoberta de tumores malignos no rim caiu durante a pandemia. Além disso, o Setor de Urologia (SUR) do Hospital de Câncer Araújo Jorge (HAJ) também vem notando um agravamento no estágio dos tumores que chegam até a instituição - o que diminui consideravelmente as chances de cura e torna o tratamento mais delicado.
Segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA), são diagnosticados por ano, no Brasil, algo em torno de 6 mil casos de câncer de rim. Mundialmente são mais de 400 mil novos casos com mais de 170 mil mortes. A maioria das vítimas se enquadra em pelo menos um dos grupos de risco da doença: obesos, fumantes ou grandes consumidores de anti-inflamatórios.
Pra detectar e tratar precocemente a neoplasia o mais indicado é fazer visitas anuais ao urologista, porque um simples exame de ultrassom consegue apontar a presença do tumor ainda em fase inicial. E é exatamente a fase de descoberta que vai determinar o tipo de tratamento", pontua o médico João Paulo Bessa, que chefia o Setor de Urologia do HAJ, por onde passam cerca de 10 mil pessoas por ano - desses, 10% procuram o hospital para lutar contra o câncer de rim.
Na lista de opções, estão cirurgias minimamente invasivas, que preservam grande parte do rim, sessões de quimioterapia ou imunoterapia, as chamadas drogas-alvo e até as cirurgias de grande porte, que podem culminar na retirada total do órgão afetado. Tudo vai depender do estágio do tumor.
Autocuidado também é coisa de homem
No Dia Mundial do Câncer de Rim, celebrado na próxima sexta-feira (18), Bessa destaca que, incluir o checkup na rotina ganha ainda mais importância quando se trata do câncer renal. "Na maioria das vezes, nas fases iniciais, o câncer de rim não costuma causar sintomas. E por isso, muitas vezes, o diagnóstico é feito quando a lesão atinge 10 cm de diâmetro ou mais."
Por isso, o melhor é não esperar sinais como fortes dores na lombar, perda de peso exagerada, cansaço excessivo, aumento do volume abdominal, inchaço das pernas e dores de cabeça, acompanhadas de tontura e visão dupla. Além disso, é preciso cuidar da saúde de forma geral.
"O câncer de rim é, em média, três vezes mais comum em fumantes. Porque é ali, nos rins, que os agentes cancerígenos da fumaça chegam pra ser filtrados. A doença também afeta mais os obesos, os hipertensos e quem consome antiflamatório em excesso", esclarece Bessa.
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