A morte de um animal de estimação pode deixar marcas emocionais profundas e, em alguns casos, provocar um sofrimento maior do que a perda de uma pessoa próxima. É o que revela um estudo científico publicado na revista PLOS One, que reforça a importância de reconhecer e acolher o luto vivido por quem perde um companheiro de quatro patas.
A pesquisa, conduzida pelo psicólogo Philip Hyland, da Universidade de Maynooth, na Irlanda, ouviu 975 adultos no Reino Unido e investigou as consequências emocionais da morte de animais de estimação em comparação com perdas humanas.
Entre os participantes que haviam enfrentado tanto a morte de um animal querido quanto a de uma pessoa, 21% consideraram a perda do pet a experiência de luto mais dolorosa de suas vidas.
Luto por animais pode apresentar sintomas semelhantes aos da perda humana
Outro dado importante identificado pelos pesquisadores é que 7,5% das pessoas que perderam um animal de estimação apresentaram sintomas compatíveis com o transtorno do luto prolongado.
Esse quadro envolve sofrimento emocional persistente, saudade intensa, dificuldade para aceitar a morte e prejuízos na vida cotidiana.
Segundo o estudo, os sintomas apresentados após a morte de um animal podem se manifestar de maneira semelhante aos observados após a perda de uma pessoa.
Os resultados não significam que a morte de um animal seja sempre mais dolorosa que a de um familiar, mas demonstram que a intensidade do sofrimento está profundamente relacionada ao vínculo afetivo construído ao longo da convivência.
Uma ausência que transforma a rotina
Para muitas famílias, cães e gatos não são apenas animais de estimação. São companheiros presentes nas pequenas experiências do cotidiano, nas alegrias, nas dificuldades e nos momentos de solidão.
A ausência pode ser percebida nos detalhes: a caminha vazia, o silêncio da casa, a falta de alguém esperando na porta ou os horários que antes eram dedicados aos passeios e cuidados.
São lembranças que revelam a profundidade de uma relação construída com afeto, confiança e presença.
Apesar disso, o sofrimento pela morte de um animal ainda é frequentemente minimizado pela sociedade, com comentários que desconsideram a importância daquele vínculo.
Ciência reforça necessidade de acolhimento
O estudo também levanta uma discussão sobre o reconhecimento clínico do luto por animais.
Atualmente, os critérios internacionais para o diagnóstico de transtorno do luto prolongado consideram a morte de uma pessoa. Entretanto, os pesquisadores defendem que o sofrimento decorrente da perda de um animal também merece atenção.
O acolhimento de familiares e amigos, o respeito ao tempo de cada pessoa e a possibilidade de realizar homenagens ou rituais de despedida podem contribuir para a elaboração dessa perda.
Quando o sofrimento permanece intenso e compromete significativamente a rotina, procurar acompanhamento psicológico pode ser importante.
O amor permanece mesmo depois da despedida
Mais do que apresentar números, a pesquisa reforça uma realidade conhecida por milhões de tutores: o amor por um animal pode ocupar um espaço imenso na vida de alguém.
A morte encerra a convivência física, mas não apaga as histórias, os momentos compartilhados e os sentimentos construídos ao longo dos anos.
Porque quem perde um animal de estimação não perde apenas um pet. Perde uma companhia, uma rotina e uma parte importante da própria história.

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