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Política

Flávio Bolsonaro teve mais falas falsas que Lula no debate da Globo, aponta checagem

Levantamento da Agência Lupa identifica cinco declarações falsas de Flávio e duas de Lula; confronto também foi marcado por exageros, informações fora de contexto e ataques pessoais.

Redação
Por Redação
Flávio Bolsonaro teve mais falas falsas que Lula no debate da Globo, aponta checagem
Fernando Frazão/Agência Brasil
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O último debate presidencial antes do segundo turno das eleições de 2026, realizado na noite desta sexta-feira (23), na TV Globo, foi marcado não apenas pelos embates entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), mas também por uma série de declarações que não resistiram à verificação dos fatos.

Segundo levantamento da Agência Lupa, repercutido pela imprensa neste sábado (24), Flávio Bolsonaro teve cinco afirmações classificadas como falsas, enquanto Lula registrou duas declarações com a mesma classificação.

O resultado considera exclusivamente as afirmações verificadas pela agência e não representa uma contagem definitiva de todas as informações incorretas apresentadas pelos candidatos.

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A checagem divulgada pela Folha de S.Paulo também apontou que, em uma amostra inicial de 35 declarações dos presidenciáveis, 20 continham informações falsas, exageradas ou fora de contexto. Outras 11 foram consideradas verdadeiras.

Flávio Bolsonaro: cinco declarações falsas

Entre as afirmações de Flávio Bolsonaro classificadas como falsas, uma das mais repercutidas foi a acusação de que Lula seria responsável pela criação do chamado Jogo do Tigrinho.

A legislação que autorizou as apostas esportivas de quota fixa no Brasil foi sancionada em 2018, durante o governo Michel Temer. Já a regulamentação federal do setor ocorreu em 2023, na gestão Lula.

Outra declaração contestada envolveu uma suposta defesa de Lula à impunidade de criminosos que roubariam celulares para comprar cerveja. A verificação identificou distorções em falas anteriores do presidente, que não correspondem à acusação apresentada pelo senador.

Flávio também atribuiu à inflação recente a redução do tamanho de barras de chocolate de 120 para 80 gramas. Entretanto, produtos com esse peso já eram comercializados durante o governo Jair Bolsonaro.

O candidato ainda apresentou informações incorretas sobre os juros reais do Plano Safra, afirmando que chegariam perto de 20%, e sobre a Casa da Mulher Brasileira, programa de atendimento a mulheres que já existe desde 2013.

Lula: duas declarações falsas e outras imprecisões

O presidente Lula também apresentou informações que foram contestadas pelas equipes de checagem.

Uma delas envolveu o crescimento da economia brasileira. Lula afirmou que o país não registrava crescimento superior a 3% desde o encerramento de seu segundo mandato, em 2010.

Entretanto, dados econômicos mostram que o Produto Interno Bruto brasileiro cresceu aproximadamente 3,9% em 2011 e 4,8% em 2021, contrariando a declaração.

Outra afirmação classificada como falsa foi a de que o chamado Tigrinho teria sido criado durante o governo Jair Bolsonaro, em 2022.

A verificação mostrou que a autorização legal para apostas esportivas de quota fixa ocorreu anteriormente, durante a administração de Michel Temer.

Lula também exagerou ao afirmar que havia acabado com a fome no Brasil em 2012. O país saiu do Mapa da Fome da Organização das Nações Unidas em 2014, o que não significa a erradicação completa da insegurança alimentar.

Nem tudo foi mentira: candidatos também apresentaram dados verdadeiros

As verificações identificaram informações corretas nos discursos dos dois presidenciáveis.

Lula acertou ao destacar o desempenho das exportações brasileiras e os investimentos federais no agronegócio, conforme verificações publicadas pelo jornal O POVO.

Flávio Bolsonaro também apresentou informações consideradas verdadeiras sobre o endividamento dos brasileiros e o crescimento da dívida pública.

Esses exemplos demonstram que a análise do debate exige distinguir afirmações verdadeiras, falsas, exageradas e aquelas que precisam de contextualização.

Debate começou com propostas e terminou em ataques

Mediado pelo jornalista César Tralli, o confronto teve discussões sobre economia, segurança pública, saúde, programas sociais, infraestrutura e endividamento das famílias.

Apesar de momentos dedicados às propostas de governo, a reta final foi marcada por ataques pessoais.

Flávio Bolsonaro fez referência à condição física de Lula, que perdeu um dedo em um acidente de trabalho, e posteriormente pediu desculpas. O presidente, por sua vez, utilizou acusações contra o adversário durante o confronto.

O debate também abordou investigações, episódios de violência e controvérsias envolvendo os dois campos políticos.

Pressão popular por checagem de fatos

A preocupação com a circulação de informações falsas ganhou força antes mesmo do debate.

Um abaixo-assinado com mais de 1,1 milhão de participações solicitou que a TV Globo realizasse verificações durante a transmissão.

A emissora mobilizou uma equipe de mais de 30 jornalistas para acompanhar as declarações dos candidatos por meio do serviço Fato ou Fake, do g1.

As verificações foram disponibilizadas nas plataformas digitais, mas não apareceram como correções simultâneas na tela da televisão.

Afinal, quem falou mais informações falsas?

Considerando exclusivamente as declarações classificadas como falsas no levantamento divulgado da Agência Lupa, Flávio Bolsonaro apresentou mais afirmações incorretas do que Lula: cinco contra duas.

Entretanto, especialistas em checagem alertam que transformar esses números em uma classificação absoluta de quem mente mais seria metodologicamente inadequado.

As agências verificam declarações selecionadas, utilizando critérios próprios, e nem todas as afirmações feitas durante o debate passam necessariamente por análise.

Além disso, uma informação falsa não significa, por si só, que tenha sido apresentada com intenção deliberada de enganar.

A conclusão é que os dois candidatos apresentaram informações incorretas, mas Flávio Bolsonaro acumulou mais declarações classificadas como falsas na amostra analisada pela Lupa.

A dois dias do segundo turno, marcado para domingo (25), a checagem dos discursos reforça a importância de consultar dados oficiais e fontes jornalísticas confiáveis antes de compartilhar informações políticas.

Fontes: Agência Lupa, Folha de S.Paulo, UOL Confere, Aos Fatos e O POVO.

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