Uma alteração aparentemente discreta na coluna pode evoluir ao longo dos anos e comprometer a qualidade de vida. Durante o Junho Verde, mês de conscientização sobre a escoliose, o Centro Estadual de Reabilitação e Readaptação Dr. Henrique Santillo (Crer) reforça a importância da identificação precoce da doença para ampliar as possibilidades de tratamento e evitar o agravamento dos casos.
A escoliose é uma deformidade da coluna vertebral caracterizada por uma curvatura anormal observada de frente. Embora possa surgir em qualquer fase da vida, a condição é mais frequente durante a infância e a adolescência, período marcado pelo crescimento acelerado do corpo.
Segundo o cirurgião de coluna Murilo Daher, reconhecer os sinais ainda durante o desenvolvimento faz diferença nos resultados do tratamento.
“A escoliose costuma evoluir lentamente e muitas vezes passa despercebida pela família. Quando conseguimos identificar a alteração ainda no período de crescimento, temos opções de tratamento que podem evitar o agravamento da curva e até mesmo a necessidade de cirurgia”, explica.
Quais sinais podem indicar escoliose?
Pais e responsáveis devem observar possíveis diferenças na altura dos ombros, assimetria da cintura, inclinação do tronco e alterações posturais persistentes.
“O ideal é observar as costas dos adolescentes durante o crescimento. Muitas vezes a evolução da escoliose é lenta e a família acaba não percebendo. Ao notar qualquer assimetria importante, a orientação é procurar avaliação especializada”, orienta o médico.
Além das alterações visíveis, a escoliose pode provocar deformidades no tronco e, nos casos mais graves, comprometer a caixa torácica e a função pulmonar. Estima-se que cerca de 3% da população com menos de 18 anos apresente algum grau da doença.
Escoliose tem tratamento?
O diagnóstico é realizado por meio de avaliação clínica e exames de imagem, principalmente a radiografia da coluna. O tratamento varia conforme a gravidade da curvatura e pode incluir acompanhamento periódico, fisioterapia específica, uso de coletes ortopédicos e cirurgia.
“O colete é hoje uma das ferramentas mais importantes para o tratamento não cirúrgico da escoliose. Existe evidência científica robusta mostrando que, quando utilizado na fase adequada, ele consegue reduzir significativamente a progressão da deformidade”, destaca Murilo.
Referência em reabilitação e tratamento de deformidades da coluna pelo Sistema Único de Saúde (SUS), o Crer realiza, em média, duas cirurgias de deformidades da coluna por semana. A unidade é habilitada para procedimentos de alta complexidade e conta com equipe especializada, monitorização neurofisiológica intraoperatória e tecnologia para atender desde casos mais simples até deformidades severas.
“O Crer possui uma grande experiência no tratamento da escoliose. Conseguimos oferecer aos pacientes do SUS um atendimento especializado, com recursos tecnológicos e segurança para realizar desde o acompanhamento clínico até cirurgias complexas de deformidade da coluna”, afirma Murilo Daher.
A principal mensagem da campanha Junho Verde é que a escoliose tem tratamento e que a identificação precoce pode mudar o curso da doença.
“Quanto mais cedo identificamos a deformidade, maiores são as chances de controlar a evolução da doença e preservar a qualidade de vida do paciente”, conclui.
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