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Quinta-feira, 29 de Outubro 2026
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Economistas criticam corte de gastos para conter a dívida pública

Especialistas apontam que juros elevados praticados pelo Banco Central são os principais responsáveis pelo crescimento do endividamento no país.

Redação
Por Redação
Economistas criticam corte de gastos para conter a dívida pública
© Antonio Cruz/Agência Brasil
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Economistas heterodoxos contestam a pressão do mercado financeiro por cortes de despesas, apontando que a alta taxa de juros é a verdadeira causadora do crescimento da dívida pública brasileira, que atingiu 82,9% do PIB em agosto de 2026.

Controvérsia sobre o ajuste fiscal

Enquanto analistas liberais defendem a redução do orçamento do Estado para conter despesas primárias, especialistas de correntes desenvolvimentistas alertam que a medida prejudica diretamente serviços essenciais como saúde, educação, previdência e assistência social.

A professora do Instituto de Economia da Unicamp, Simone Deos, afirma que a trajetória do endividamento em moeda nacional não traz riscos de calote nem de surto inflacionário, uma vez que o país não possui dívida expressiva em dólares.

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Comparação internacional e o impacto dos juros

Pesquisadores lembram que nações desenvolvidas mantêm patamares de endividamento muito superiores ao do Brasil, a exemplo do Japão (236% do PIB), dos Estados Unidos (120%) e do Reino Unido (101%), sem enfrentarem cenários de descontrole.

O problema central no cenário nacional reside no custo do refinanciamento. Nos últimos 12 meses, o Brasil destinou R$ 1,1 trilhão exclusivamente ao pagamento de juros, montante que representa 8,86% do PIB e compromete o orçamento público.

O professor da UFRRJ, Fernando Henrique Lemos Rodrigues, critica a comparação entre as finanças do Estado e o orçamento familiar. Segundo ele, o governo possui capacidade de arrecadação, rolagem de dívida e receitas de estatais.

Alternativas para a estabilização econômica

Rodrigues argumenta que a exigência por austeridade atende aos interesses das instituições financeiras, beneficiadas pela rentabilidade dos títulos públicos. Ele defende que a inflação sob controle abre espaço para a queda das taxas de juros.

Como alternativa ao corte de investimentos sociais, especialistas sugerem uma atuação coordenada do Banco Central utilizando as reservas internacionais de US$ 350 bilhões no mercado cambial para conter a inflação e permitir a redução sustentável da taxa Selic.

FONTE/CRÉDITOS: Lucas Pordeus León - Repórter da Agência Brasil

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