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Quinta-feira, 24 de Setembro 2026
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CNJ determina o cancelamento de precatórios do Banco Master

Medida do corregedor Benedito Gonçalves suspende pagamentos bilionários após revelações de contratos suspeitos envolvendo familiares de magistrados.

Redação
Por Redação
CNJ determina o cancelamento de precatórios do Banco Master
© Rovena Rosa/Agência Brasil
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O corregedor nacional de Justiça, Benedito Gonçalves, determinou nesta quarta-feira (23) o cancelamento de R$ 4,7 bilhões em precatórios do Banco Master. A medida atende a um pedido da Advocacia-Geral da União (AGU) para suspender decisões do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1), sediado em Brasília, que haviam autorizado o depósito desses valores sem o trânsito em julgado dos processos.

O montante bilionário envolve títulos de usinas do setor sucroalcooleiro que foram negociados com a instituição financeira. Segundo a AGU, a transferência dos recursos para contas judiciais ocorreu de forma precoce, atropelando ritos processuais fundamentais que exigem o encerramento definitivo das ações judiciais contra a União.

Em sua fundamentação, o ministro Benedito Gonçalves destacou que o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) já possui entendimento consolidado contra a expedição e o pagamento de precatórios sem o trânsito em julgado. Ele apontou que, mesmo após ordens anteriores de cancelamento, os valores continuavam retidos indevidamente.

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"Mais de um ano depois da ordem de cancelamento, esses requisitórios continuam registrados como precatórios bloqueados, com R$ 4,7 bilhões mantidos em contas judiciais", criticou o corregedor nacional.

Investigação e contratos suspeitos

A polêmica ganhou força após reportagens revelarem um contrato de R$ 427 milhões entre o banco e o escritório da advogada Camilla Ramos. Ela é esposa do desembargador Newton Ramos, integrante do TRF1. O documento foi localizado pela Polícia Federal (PF) no aparelho celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

O escritório Queiroga, Vieira, Queiroz e Ramos confirmou a prestação de serviços jurídicos ao banco, mas negou o recebimento de valores a título de pró-labore ou êxito. A banca explicou que a taxa de êxito estipulada foi de 5%, índice que se encontra abaixo dos limites recomendados pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

As investigações também apontaram menções de assessores a uma suposta proximidade com o ministro Kássio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF). Em resposta, o ministro negou categoricamente qualquer contato com o ex-banqueiro ou autorização para o uso de seu nome nas negociações.

FONTE/CRÉDITOS: André Richter - Repórter da Agência Brasil

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