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Sexta-feira, 30 de Outubro 2026
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Órgãos federais apuram alta de violência contra indígenas após as eleições

Casos em Mato Grosso do Sul incluem incêndio em aldeia e ameaça de envenenamento; força-tarefa interministerial acompanhará investigações.

Redação
Por Redação
Órgãos federais apuram alta de violência contra indígenas após as eleições
© Valter Campanato/Agência Brasil
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O Ministério Público Federal e a Polícia Federal instauraram procedimentos para investigar casos recentes de violência contra indígenas no Mato Grosso do Sul, ocorridos após o segundo turno das eleições presidenciais. A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) contabilizou mais de 30 ocorrências motivadas pelo cenário político no estado.

Entre os episódios denunciados, a residência da rezadeira Ñandesy Roberta, de 90 anos, foi incendiada na aldeia Jaguapiré, em Tacuru, na quinta-feira (29). A Apib classificou o ato como criminoso, destacando a destruição de instrumentos sagrados dos povos Kaiowá e Guarani e a violação à liberdade religiosa.

Em vídeo divulgado nas redes sociais, Voninho Guarani Kaiowá, coordenador da entidade, repudiou a escalada de hostilidades contra as comunidades locais. O líder indígena cobrou providências imediatas das autoridades competentes para punir os responsáveis com o rigor da lei.

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Ameaças e tentativa de envenenamento

A tensão se intensificou no domingo (25), após a divulgação do resultado eleitoral. Mensagens de áudio associando a vitória nas urnas ao eleitorado indígena circularam em redes sociais. Em uma das gravações, um homem sugere colocar veneno na água que abastece uma comunidade em Tacuru.

O prefeito de Tacuru, Rogério Torquetti (PSDB), confirmou que o autor da gravação é um servidor municipal. Embora tenha minimizado a repercussão do caso nas redes sociais, o gestor informou o afastamento preventivo do funcionário e a instauração de um processo administrativo disciplinar.

Um segundo servidor da mesma prefeitura também gravou áudios com ofensas e ameaças diretas de confronto físico e armado contra um indígena. As identidades de ambos os funcionários envolvidos não foram divulgadas oficialmente.

Apuração dos órgãos federais

O Ministério Público Federal em Mato Grosso do Sul (MPF-MS) estabeleceu prazo de 48 horas para que a prefeitura de Tacuru preste esclarecimentos sobre a conduta dos servidores. Em contrapartida, no município de Naviraí, o órgão arquivou denúncias de homicídio após constatar que se tratava de desinformação com imagens fora de contexto.

A Polícia Federal foi acionada pelo Ministério dos Povos Indígenas e pela Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) para acompanhar os casos. Além disso, o secretário-executivo da pasta, Eloy Terena, anunciou a criação de uma força-tarefa interministerial com o Ministério da Justiça para centralizar o recebimento de denúncias.

FONTE/CRÉDITOS: Alex Rodrigues - Repórter da Agência Brasil

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