A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, confirmou nesta sexta-feira (2) a segunda descoberta de petróleo no poço Morpho, localizado na bacia da Foz do Amazonas. O achado reforça a expectativa da estatal em consolidar uma nova fronteira exploratória no país, embora a viabilidade comercial ainda dependa de estudos complementares.
O poço, catalogado como 1-BRSA-1405-APS, está posicionado em águas ultra profundas, a uma distância de 175 quilômetros da costa do Amapá. A lâmina d’água no local atinge 2.886 metros, desafiando a engenharia da companhia.
Segundo Magda, o otimismo é crescente, pois a descoberta pode auxiliar na mitigação do déficit de produção nacional. Estudos da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) sugerem que o volume potencial recuperável na bacia pode alcançar 10 bilhões de barris de óleo equivalente.
Qualidade e próximos passos
Durante a coletiva, a presidente da estatal descreveu o óleo extraído como de alta qualidade e baixa viscosidade. Embora detalhes técnicos como o grau API permaneçam sob sigilo, a leveza do produto é um indicativo positivo para o mercado de refino.
Após a conclusão dos testes no poço Morpho, prevista para o final de outubro, a Petrobras desmobilizará a sonda para o Rio Grande do Norte. O planejamento para a bacia prevê o retorno das operações em 2027 para a perfuração de poços de delimitação.
Questionamentos jurídicos
Apesar do entusiasmo técnico, o projeto enfrenta resistência. Na segunda-feira (28), o Ministério Público Federal (MPF) solicitou à Justiça a suspensão da licença ambiental da Petrobras na região.
O órgão cita o vazamento de 18 mil litros de fluido químico ocorrido em janeiro como evidência de risco. Além disso, o MPF aponta a falta de consulta prévia a comunidades indígenas e quilombolas, conforme exige a Convenção nº 169 da OIT.

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