O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, e o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, tiveram um breve encontro na reunião do G20 em Atlanta nesta sexta-feira (30). O diálogo ocorre em um momento delicado para as relações diplomáticas entre os dois países, marcado pela recente reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a ida polêmica do senador Flávio Bolsonaro a território americano.
Durante o coquetel de recepção aos chefes da diplomacia, Vieira e Rubio alinharam a realização de uma reunião bilateral oficial. O compromisso deve acontecer antes da cúpula de líderes do grupo, agendada para os dias 14 e 15 de dezembro, em Miami.
O evento em Atlanta integra o calendário do grupo das maiores economias do mundo, sob presidência americana em 2026, com debates focados em geopolítica, transição energética e cadeias de suprimentos globais.
A aproximação entre os diplomatas acontece em meio a atritos políticos. O presidente Donald Trump evitou reconhecer formalmente a vitória de Lula e permitiu a entrada de Flávio Bolsonaro nos Estados Unidos, mesmo após a Justiça brasileira proibir a saída do parlamentar do país.
A permanência do senador nos EUA motivou parlamentares democratas da oposição a cobrarem explicações de Rubio. Flávio é investigado no Brasil por lavagem de dinheiro, corrupção e evasão de divisas, mas nega qualquer irregularidade.
Diálogos bilaterais no evento
Além do contato com a diplomacia americana, Mauro Vieira cumpriu agenda com os ministros das Relações Exteriores da Índia, Subrahmanyam Jaishankar, do Reino Unido, Ed Miliband, e da Polônia, Radosław Sikorski. Todos parabenizaram formalmente o governo brasileiro pelo resultado do pleito presidencial.
Segundo nota emitida pelo Itamaraty, o chanceler indiano transmitiu as congratulações do primeiro-ministro Narendra Modi a Lula, destacando a importância do fortalecimento das parcerias estratégicas entre as nações do bloco.
Investigações e saída do Brasil
A viagem de Flávio Bolsonaro ocorreu após a Polícia Federal solicitar a retenção de seu passaporte por risco de fuga. O senador do PL é alvo de apurações sobre um repasse de R$ 60 milhões ligado ao Banco Master para a produção de um filme sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Em outra frente investigativa, a PF apura ligações do parlamentar fluminense com o advogado Willer Tomaz, proprietário de uma empresa de apostas e investigado por fraudes contra o INSS. A Justiça determinou o bloqueio de mais de R$ 6 bilhões do defensor.

Viver Goiás