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Quarta-feira, 28 de Outubro 2026
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Mães cobram justiça um ano após mortes na Operação Contenção no Rio

Familiares e entidades criticam conduta policial e exigem respostas do Ministério Público para esclarecer a ação mais letal do estado.

Redação
Por Redação
Mães cobram justiça um ano após mortes na Operação Contenção no Rio
© Fernando Frazão/Agência Brasil
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Mães e familiares de vítimas da Operação Contenção reuniram-se nesta quarta-feira (28), na Vila Cruzeiro, zona norte do Rio de Janeiro, para cobrar investigações e justiça pelas 122 pessoas mortas na ação policial mais letal da história do estado, ocorrida em outubro de 2025 nos Complexos da Penha e do Alemão.

Durante o ato em memória dos mortos, Tauã Brito, mãe do jovem Wellington Brito, de 20 anos, denunciou a violência e a seletividade da segurança pública. Na época, ela tentou negociar a rendição do filho sem sucesso e encontrou seu corpo horas depois na área de mata.

"Justiça não pode ser um privilégio de quem tem dinheiro, mora em condomínio ou ocupa cargo de poder", declarou a confeiteira. Segundo ela, a localização geográfica das comunidades tem determinado a forma como o Estado trata os cidadãos e respeita seus direitos.

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Disparidade em ações policiais e denúncias internacionais

Tauã comparou a alta letalidade na periferia com uma grande apreensão de armas realizada em um condomínio na Barra da Tijuca, na zona sudoeste da cidade. Na ocasião, a polícia prendeu sete pessoas com 240 armas sem disparar tiros ou causar mortes.

A organização Human Rights Watch divulgou uma nota destacando evidências graves de má conduta policial durante a operação, como a manipulação de câmeras corporais e indícios de execuções. As famílias também contestam a neutralidade do Ministério Público Estadual nas investigações, já que o órgão participou do planejamento da ação.

Cobrança de respostas e apelo por políticas sociais

Outras mães relataram a dor pela ausência de laudos periciais e respostas conclusivas. Maria Edvalda Cândida de Souza e Ana Paula Muniz, que perderam seus filhos na incursão, afirmaram que o papel da Justiça é julgar e prender, não executar.

Jovens e lideranças comunitárias do Complexo da Penha reforçaram que as operações militares não mudaram a realidade da segurança na região. Os moradores cobram maior presença do Estado por meio de projetos sociais e serviços essenciais, em vez de ações pontuais e violentas.

FONTE/CRÉDITOS: Isabela Vieira - Repórter da Agência Brasil

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