O projeto Jovens Escritores, que deu origem ao livro "Pandecontos", foi desenvolvido com a proposta de incentivar a contação de histórias e experiências vividas durante a pandemia da Covid-19 e estimular entre os estudantes a reconexão social. A iniciativa foi feita pelos professores do Colégio Pedro Gomes, em Goiânia, escola adepta ao Ensino Médio Integral (EMI) - modelo de educação público e gratuito - e envolveu os alunos do primeiro ano do ensino médio.
O intuito era fazer com que os jovens enxergassem e pudessem sentir o lado do escritor, enquanto produziam seus contos e passavam por essa experiência. Traços extremamente íntimos e particulares foram retratados nas narrativas, sobre como e onde perderam familiares, onde e quanto tempo ficaram isolados sem contato com os amigos, momentos de dificuldade financeira, entre outras questões vivenciadas no período.
"O trabalho desenvolvido pelos Jovens Escritores envolveu várias disciplinas e procurou mostrar para os estudantes que estão no primeiro ano do ensino médio que uma única atividade tem o potencial de proporcionar um conhecimento interdisciplinar de várias matérias, de maneira enriquecedora e transformadora", conta a professora Ludmyla, uma das organizadoras do livro.
Focado nos Projetos de Vida e no desenvolvimento das habilidades e competências socioemocionais, o EMI estimula os estudantes a se tornarem jovens protagonistas e a criarem ações de impacto social. Foi a partir do contato com essa metodologia educacional que os professores decidiram trabalhar junto aos estudantes o desenvolvimento da escrita, pensamento crítico e formação da identidade.
"A jornada do Ensino Médio é um dos momentos mais importantes na formação dos jovens, é onde conseguimos propor reflexões e prepará-los para o futuro que desejam traçar. Chamar a atenção dos estudantes durante a pandemia e no ensino remoto foi um desafio, mas assim que começaram a elaborar suas histórias a adesão foi incrível, com excelentes resultados", completa Ludmyla.
O Ensino Médio Integral e o seu poder de acolhimento
Por acreditar no poder de transformação e também de acolhimento que a educação pública tem, o EMI busca proporcionar, além do amadurecimento do indivíduo, um ambiente saudável e de qualidade para que o estudante se prepare, não só para o mercado de trabalho ou para o vestibular, mas também para a vida. Uma proposta pedagógica multidimensional, que foca em auxiliar os jovens na construção de seus Projetos de Vida e planos para o futuro.
Em todo o Brasil são cerca de 3720 escolas no modelo e 778 mil estudantes. A modalidade apresentou crescimento exponencial no último IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), reforçando sua assertividade. Os índices de desempenho e rendimento também surpreendem. Enquanto a média nacional do IDEB foi de 3.9 pontos, o Ensino Médio Integral atingiu 4.7 pontos na média nacional, superando a meta Brasil de 4.6 pontos. Apesar de acumular os melhores resultados do Ensino Básico, o modelo, que promove a formação integral e cidadã dos jovens, ainda é pouco conhecido.

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