O setor público consolidado registrou um déficit primário de R$ 5,5 bilhões em setembro, enquanto a dívida pública brasileira permaneceu em 82,9% do Produto Interno Bruto (PIB), alcançando R$ 11,1 trilhões. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira pelo Banco Central (BC) no relatório de Estatísticas Fiscais, mostrando estabilidade do endividamento em relação a agosto, mas no maior patamar desde a pandemia.
Apesar de continuar em nível elevado, o resultado de setembro apresentou melhora na comparação com o mesmo mês de 2025, quando o déficit foi de R$ 17,5 bilhões. O saldo primário mede a diferença entre arrecadação e gastos governamentais, descontando o pagamento das despesas financeiras com juros.
Desempenho por esferas governamentais
A composição do resultado fiscal no mês registrou desempenhos distintos entre os diferentes setores da administração pública:
- Governo Central: superávit de R$ 3,5 bilhões;
- Estados e municípios: déficit conjunto de R$ 5,6 bilhões;
- Empresas estatais: déficit de R$ 3,4 bilhões.
Entre janeiro e setembro de 2026, as contas públicas acumulam um déficit primário de R$ 94,3 bilhões, o que corresponde a 0,93% do PIB. O valor supera o resultado negativo de R$ 79,2 bilhões registrado em igual período do ano anterior.
Divergência metodológica e peso dos juros
A divergência entre o resultado do BC e o superávit de R$ 4,8 bilhões anunciado pelo Tesouro Nacional ocorre devido a metodologias distintas. O Tesouro contabiliza a execução orçamentária, enquanto a autoridade monetária mede a variação do endividamento efetivo dos entes públicos.
Os gastos com juros nominais continuam sendo o principal fator de pressão fiscal, somando R$ 107,5 bilhões em setembro. No acumulado de 12 meses, a despesa com juros atingiu R$ 1,205 trilhão (8,99% do PIB), elevando o déficit nominal do setor público para R$ 1,275 trilhão no período.
Por fim, a Dívida Líquida do Setor Público (DLSP) avançou para 70% do PIB, somando R$ 9,4 trilhões. A elevação reflete o peso dos juros apropriados, reforçando a necessidade de estabilização da trajetória fiscal para conter o custo de financiamento do Estado.

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