A proibição recente das operações das empresas de apostas on-line, as bets, trouxe alívio para milhares de brasileiros que enfrentaram o endividamento extremo e a ruína financeira nos últimos anos. O vício em jogos destruiu lares, gerou dívidas impagáveis e levou muitos cidadãos a buscarem apoio psicológico urgente em unidades de saúde de todo o país.
Histórias como a de Kaio, que perdeu carro, casa e emprego, revelam a gravidade da dependência gerada pelas plataformas. Isolado no interior de Goiás por temer cobradores e agiotas, ele encontrou suporte médico em um Centro de Atenção Psicossocial (Caps), onde faz uso contínuo de medicamentos para lidar com os danos causados pelo vício.
Regulamentação tardia
A Medida Provisória que suspendeu as atividades das empresas foi assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A medida revogou trechos da Lei 13.756, aprovada em dezembro de 2018. Embora autorizadas desde aquele ano, as plataformas funcionaram por quase cinco anos sem regulamentação rígida ou fiscalização efetiva.
Apenas em dezembro de 2023 o governo estabeleceu diretrizes para o setor, exigindo avisos sobre os malefícios das apostas. No entanto, especialistas apontam que as regras raramente foram cumpridas pelas companhias, que continuaram a bombardear os usuários com ofertas constantes e estímulos agressivos ao consumo.
Impacto bilionário e vulnerabilidade
Dados do Comitê Nacional de Secretários de Fazenda (Comsefaz) indicam que as famílias brasileiras perderam R$ 62,5 bilhões para as apostas apenas no ano passado. Especialistas em saúde mental explicam que o apelo publicitário explorou a vulnerabilidade econômica da população, vendendo uma falsa promessa de complementação de renda.
O envolvimento precoce de adolescentes e jovens também acendeu alertas na área da educação e da psicologia. O cérebro em desenvolvimento, com impulsos de dopamina acelerados e menor capacidade de controle de risco, torna essa faixa etária um alvo fácil para o apelo constante dos jogos digitais.
Busca por tratamento
Com o avanço dos problemas psiquiátricos associados às perdas financeiras, o Sistema Único de Saúde (SUS) ampliou os teleatendimentos. O Ministério da Saúde informou que intensificará ações de busca ativa para oferecer acompanhamento médico e psicológico aos apostadores contumazes afetados pela crise.

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