Diversos episódios de intolerância política vêm sendo registrados no ambiente escolar e em locais públicos pelo Brasil durante o recente período de votação. Os relatos envolvem agressões verbais, hostilidades físicas e discriminação motivadas pela preferência eleitoral dos estudantes e de suas famílias em diferentes estados.
Em Itajaí, Santa Catarina, um vídeo gravado em uma escola mostra dois jovens usando a bandeira do Brasil para agredir fisicamente colegas vestidos de vermelho. De acordo com a gravação, os agressores também dispararam ofensas verbais e fizeram críticas pejorativas ao programa Bolsa Família.
A hostilidade também se repetiu no Distrito Federal, onde um estudante de 16 anos precisou mudar de instituição de ensino após relatar perseguições causadas por suas declarações de voto. O clima de acirramento eleitoral se intensificou nas redes sociais e nos ambientes acadêmicos após a divulgação do resultado das urnas.
Em Araguari, Minas Gerais, alunos de medicina do Instituto Master de Ensino Presidente Antônio Carlos (Imepac) proferiram ofensas contra estudantes bolsistas que apoiaram Luiz Inácio Lula da Silva. Além do posicionamento eleitoral, a discriminação atingiu acadêmicos que vendem doces para arcar com os custos pessoais.
Em resposta aos acontecimentos, a direção da Imepac emitiu uma nota oficial repudiando de forma categórica qualquer ato de discriminação ou intolerância baseados em convicções políticas e condições socioeconômicas.
Criança é vítima de humilhação em Fortaleza
As manifestações de preconceito ultrapassaram os muros escolares. Em Fortaleza, Ceará, a influenciadora Valéria Diniz gravou um vídeo recusando-se a comprar doces de Matheus, um garoto autista de 9 anos que trabalha para ajudar a avó, após a criança declarar o voto familiar.
O registro mostra a influenciadora e amigas debochando do garoto depois de pedirem que ele fizesse o sinal associado ao candidato eleito. Após a indignação provocada pela publicação do conteúdo, grupos de motociclistas e internautas se mobilizaram para prestar apoio financeiro e solidariedade à família do menino.

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