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Câncer de próstata é o segundo que mais mata homens no Brasil

Preconceito e tabu ainda atrapalham o diagnóstico precoce e consequentemente a chances de cura

Redação
Por Redação
Câncer de próstata é o segundo que mais mata homens no Brasil
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O mês de novembro é dedicado aos cuidados com a saúde do homem, especialmente, à prevenção e ao diagnóstico precoce do câncer de próstata. Desde 2011, é realizada no Brasil a campanha Novembro Azul, que tem como objetivo alertar sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce da doença. A campanha busca combater o câncer de próstata, o segundo tipo mais comum entre os homens. Por isso, em 17 de novembro, celebra-se o Dia Nacional de Combate ao Câncer de Próstata no Brasil.

Os números relativos à doença são expressivos. O Instituto Nacional de Câncer (Inca) estima que, no triênio 2023-2025, surjam 71.730 novos casos por ano, o que corresponde a um risco estimado de 67,86 casos para cada 100 mil homens. Segundo o World Cancer Research Fund, foram registrados cerca de 1,47 milhão de novos casos de câncer de próstata em 2022, o que o coloca entre os tipos de câncer mais comuns entre os homens em escala global.

O câncer de próstata é o câncer mais incidente na população masculina, excluindo os tumores de pele não melanoma, e também o segundo que mais mata homens no país. Somente em 2021, mais de 16 mil brasileiros perderam a vida em decorrência da doença, o que representa, em média, 44 mortes por dia. 

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Estes dados reforçam a urgência da conscientização e da informação. Para mudar este cenário, a prevenção e o diagnóstico precoce são fundamentais. Nesse contexto, é preciso que os homens tenham acompanhamento médico de rotina ao longo da vida. 

Os homens que apresentam alguma alteração suspeita, como dificuldade de urinar, diminuição do jato de urina, necessidade de urinar mais vezes durante o dia ou a noite e apresentam sangue na urina, devem procurar uma unidade de saúde. Mas, o médico urologista Antônio Moraes, do Hospital Unique, adverte que ainda existe preconceito entre o público masculino em realizar exames preventivos e buscar o diagnóstico precoce.

“Ainda existe um nível relevante de resistência e preconceito entre muitos homens para procurar exames preventivos. Essa resistência decorre de fatores culturais – tabus sobre exame físico íntimo –, medo do diagnóstico, receio de procedimentos e da estigmatização do tema ‘saúde masculina’. Ao mesmo tempo, a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) e o Ministério da Saúde reconhecem esse problema e defendem abordagem que combine informação, acolhimento e decisão compartilhada com o paciente”, pontua.  

O urologista destaca que ainda há resquícios de tabu – especialmente em grupos mais velhos ou com menor acesso à informação –, mas a situação vem melhorando. Segundo Antônio Moraes, a Campanha Novembro Azul tem proporcionado uma maior conscientização do público masculino e adesão ao diagnóstico precoce; além de iniciativas de sociedades médicas.

“Dados recentes mostram aumento no atendimento e procura por avaliação, inclusive entre homens mais jovens, o que indica mudança gradual: mais informação, maior divulgação e cobertura midiática têm tornado o tema menos escondido e mais discutido. A mudança também é impulsionada por entidades médicas – como a SBU e a Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica –, que orientam profissionais a fazerem aconselhamento e decisão compartilhada”, afirma o urologista.

A boa notícia é que, quando detectado precocemente, o câncer de próstata tem altas taxas de cura e pode ser tratado de forma eficaz, o que torna o diagnóstico precoce uma ferramenta fundamental na luta contra a doença. No Brasil, o Ministério da Saúde recomenda que a decisão de realizar exames de rastreamento seja individualizada e tomada em conjunto com um profissional de saúde, levando em conta fatores de risco e o histórico pessoal de cada homem. 

A Organização Mundial da Saúde (OMS) lista ações e mudanças de hábitos que ajudam a reduzir os fatores de risco. Ter hábitos saudáveis e uma alimentação equilibrada, praticar atividades físicas, evitar cigarros e o consumo excessivo de álcool, manter o peso adequado à altura, identificar e tratar corretamente hipertensão, diabetes e problemas de colesterol, praticar sexo seguro, cuidar da saúde mental, estão entre os cuidados básicos que todo homem precisa ter com sua saúde.

 

Fatores de risco e diagnóstico

A idade é um dos principais fatores de risco: aproximadamente 75% dos diagnósticos ocorrem em homens com 65 anos ou mais. A incidência e mortalidade aumentam significativamente após os 60 anos de idade. Também pesa na estatística a história familiar da doença – pai ou irmão com câncer de próstata antes dos 60 anos.

A alimentação merece atenção, pois o sobrepeso e a obesidade são fatores de risco. E também a etnia, homens negros e aqueles com ascendência africana apresentam maior probabilidade de desenvolver o câncer de próstata; além de fatores relacionados ao estilo de vida, como sedentarismo, obesidade e alimentação rica em gorduras. 

Antônio Moraes lembra que, de acordo com a SBU, recomenda-se que homens sem fatores de risco iniciem o rastreio a partir dos 50 anos. Já aqueles que contam com história familiar de parente de primeiro grau e afrodescendentes realizem os exames preventivos a partir dos 45 anos de idade. Após 75 anos, o rastreio é discutido individualmente e normalmente restrito a quem tem expectativa de vida superior a 10 anos.   

Os exames utilizados para o diagnóstico do câncer de próstata são: o PSA (antígeno prostático específico), exame de sangue principal na triagem inicial e, para complementar a avaliação, o exame físico de toque retal, que é o exame clínico da próstata. O exame de sangue PSA e o toque retal, embora ainda cercados por tabus, são procedimentos simples e rápidos que ajudam a identificar alterações na próstata antes mesmo de surgirem sintomas. 

Existem ainda os exames confirmatórios, que podem ser indicados, como a ressonância multiparamétrica da próstata e a biópsia prostática. Atualmente o fluxo diagnóstico tem incorporado ressonância antes de biópsia para reduzir sobrediagnóstico e direcionar a biópsia. O urologista destaca que o Inca orienta que suspeitas sejam encaminhadas para avaliação urológica e confirmação diagnóstica.  

 

Tratamento

O urologista  Antônio Moraes destaca que existem algumas opções de tratamento, que dependem do estágio, da agressividade tumoral e da condição do paciente. A vigilância ativa é aconselhada para tumores de baixo risco, que consiste no acompanhamento com PSA, exames e biópsias periódicas.

A cirurgia (prostatectomia radical) é uma opção de tratamento para doença localizada em pacientes com boa condição clínica. Existem três opções de tratamento cirúrgico: cirurgia aberta, videolaparoscópica e robótica.

Há também a radioterapia externa ou braquiterapia, uma alternativa para doença localizada/interlocadsa; a terapia hormonal (bloqueio androgênico) e tratamentos sistêmicos (quimioterapia, terapias-alvo, imunoterapia) para doença avançada/metastática. Muitas vezes terapias combinadas são usadas conforme o caso. O plano é individualizado pelo urologista/oncologista. 

Quando o câncer de próstata é diagnosticado precocemente (localizado/estágio inicial), as chances de cura são muito altas — na literatura brasileira e em comunicados recentes de especialistas as taxas de cura (ou sobrevida muito elevada) frequentemente citadas superam 90% e, em séries/estimativas específicas, chegam a até 98% para doença descoberta no início. 

Esses números reforçam a importância do diagnóstico precoce para resultados favoráveis. Contudo, o prognóstico varia com o grau do tumor, estágio e estado geral do paciente. Por isso, a avaliação especializada e o tratamento apropriado são fundamentais.

“Homem, cuidar da sua saúde é coragem, não demora. A consulta regular e anual com o urologista permite esclarecer riscos, fazer exames simples, PSA e exame clínico, e, se necessário, iniciar tratamento no momento certo. O diagnóstico precoce aumenta muito a chance de cura e preserva qualidade de vida. Converse com seu médico. A prevenção salva vidas”, alerta o urologista Antônio Moraes.

Urologista Antônio Moraes do Hospital Unique. - crédito - divulgação.jfif
Urologista Antônio Moraes do Hospital Unique

 

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