Grandes empresas de tecnologia falharam no cumprimento das regras de restrição e permitiram que big techs mantivessem anúncios políticos irregulares e recomendações de candidatos ativos neste domingo, data do primeiro turno das eleições.
A constatação faz parte de um levantamento recente conduzido pelo Observatório das Big Techs, ligado ao NetLab da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). O monitoramento apontou falhas em ecossistemas digitais importantes durante o período crítico de resguardo determinado pela Justiça Eleitoral.
Conforme as diretrizes estabelecidas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a circulação de propaganda paga na internet fica proibida desde 48 horas antes do pleito até 24 horas após o encerramento da votação.
Além disso, as plataformas que possuem algoritmos de recomendação devem ocultar canais oficiais de concorrentes desses mecanismos durante o mesmo intervalo, respeitando as exceções previstas na lei.
Irregularidades mapeadas
O trabalho de fiscalização combinou buscas manuais e ferramentas computacionais para analisar bibliotecas de anúncios e interfaces de programação das redes sociais.
Na infraestrutura da Meta, os pesquisadores localizaram centenas de publicações pagas em desacordo com as normas, além de conteúdos falsos que simulavam comunicados oficiais sobre uma suposta votação remota.
Já em plataformas como Kwai e Google, o relatório apontou desde a extensão indevida de prazos de campanhas até anúncios que permaneceram ativos apesar das vedações legais vigentes.
Recomendações e transparência
O monitoramento também flagrou perfis de candidatos sendo sugeridos ativamente por sistemas de recomendação do TikTok e do YouTube durante o período de restrição.
Segundo o laboratório, a falta de padronização e divergências nos dados fornecidos pelas empresas dificultam a fiscalização independente e a responsabilização por eventuais descumprimentos das normativas eleitorais.
Procuradas após a divulgação dos dados, as companhias declararam manter compromisso com a integridade dos processos democráticos e afirmaram atuar em colaboração com as autoridades brasileiras.

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