Organizações sociais e órgãos governamentais registraram um salto expressivo nos casos de violência política de gênero durante este mês dedicado à luta contra a violência à mulher. Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) indicam que esses episódios cresceram de forma expressiva, saltando de 15 para 177 processos entre 2022 e 2026.
A data foi instituída para relembrar o ato histórico de 1980, quando mulheres ocuparam as escadarias do Teatro Municipal de São Paulo. O objetivo era contestar o avanço dos crimes de gênero em território nacional.
No atual cenário eleitoral, um levantamento das entidades Terra de Direitos e Justiça Global apontou 134 ocorrências de violência política até o primeiro turno. Desse total, mais de 52% tiveram mulheres como vítimas principais.
A Central de Atendimento à Mulher, o Disque 180, registrou 1.564 denúncias de violência política contra mulheres entre janeiro e agosto de 2026. Mulheres pretas e pardas concentram mais de 53% desses casos.
Impacto nas eleições
As ameaças direcionadas à deputada federal eleita Ana Elisa (PT-MG) ilustram o clima de hostilidade enfrentado pelas candidatas. A parlamentar relatou ataques machistas, racistas e ameaças de estupro durante o pleito.
Especialistas do Ministério das Mulheres reforçam que tais agressões refletem estruturas profundas de misoginia. O objetivo dessas práticas é tentar afastar o público feminino dos espaços de poder.
Canais de denúncia
Vários órgãos disponibilizam atendimento para vítimas. O Ligue 180 funciona 24 horas para denúncias sigilosas. Casos emergenciais devem ser comunicados imediatamente à Polícia Militar pelo telefone 190.

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