Revista Viver Goiás

Artigo: Pandemia e daí, Engenharia, o que você vai fazer? Por Horácio J. B. Neto

Horácio J. B. Neto é Estudante de Engenharia Civil do Instituto Federal de Goiás / Campus Uruaçu

O mundo está vivendo uma situação atípica, estamos em uma pandemia em que não se tem perspectivas de quando ela irá ter fim. Uma nova doença, um vírus, coloca a humanidade de joelhos perante tal situação. Parece um filme com roteiro norte-americano, e que a qualquer momento os EUA irão nos salvar, mas ao invés disso, são um dos países mais afetados. Globalmente temos 9.394.558 casos confirmados, 4.716.476 recuperados e 481.078 mortos.

A situação do Brasil não é boa, até o presente momento em que escrevo, somos o país mais afetado pela COVID-19 na América do Sul e os EUA o mais afetado na América do Norte, que ironia do destino. Pode juntar todos os países da América do Sul que não dará o número de mortos e infectados em nosso território. Muitos falavam sem embasamento científico que o Brasil não seria afetado, pois o clima é tropical e que o corona tem mais potencial de contaminação em países de clima frio; Mas não é isso que estamos vendo no continente Sul-americano. A Argentina tem clima frio e o Uruguai também, mesmo assim estão tendo controle sobre o problema pelo qual o mundo anda agonizando. Os hermanos argentinos possuem 55.330 casos confirmados e 1.184 mortes, já os uruguaios 919 casos confirmados e 26 mortes. Já a nação brasileira tem mais de 1 milhão e duzentos mil casos confirmados e mais de 55 mil mortos. Mas então porque os países vizinhos mostram números bem inferiores aos nossos? É apenas a falta de responsabilidade de algumas pessoas, em insistir em não cumprir o isolamento? Irei expor meu ponto de vista para essa pergunta a que muitos se fazem. A população e governantes cobram muitas providências dos profissionais da Saúde, às vezes os sufocam, e nós da área de Engenharia Civil, não podemos contribuir em nada? Umas das coisas que nós estudantes de engenharia civil e profissionais já diplomados aprendemos nas Universidades e Instituições de Ensino é que o Saneamento Básico é algo fundamental para se evitar a proliferação de doenças, ou seja, é algo totalmente ligado à economia e ao momento que estamos vivenciando.

O Instituto Trata Brasil diz que “Saneamento é o conjunto de medidas que visa preservar ou modificar as condições do meio ambiente com a finalidade de prevenir doenças e promover a saúde, melhorar a qualidade de vida da população e à produtividade do indivíduo e facilitar a atividade econômica.”. Outra definição bem conhecida de saneamento básico é “O saneamento é o gerenciamento ou controle dos fatores físicos que podem exercer efeitos nocivos ao homem, prejudicando seu bem-estar físico, mental e social.”. Então podemos concluir que o saneamento interfere na saúde, no emocional e na atividade econômica e social.

Segundo dados do Banco Mundial, nos últimos anos mais de 96% da população do Uruguai conta com saneamento básico e a Argentina mais de 97%. Já no Brasil a conjuntura é totalmente diferente, pois o Instituto Trata Brasil apresentou estudo em que revela que 48% da população brasileira não possuui coleta de esgoto e que 35 milhões não têm acesso à água tratada. Estes números são alarmantes.

Neste último período a Região Norte é a que mais teve crescimento no caso de COVID-19; isso poderia ser até uma surpresa para alguns, pois como mencionei anteriormente, foi divulgado que em regiões de calor o potencial de transmissão é maior. Mas isso se não caiu está caindo por terra. Os nortistas são os que mais sofrem com a falta de saneamento e isso é comprovado cientificamente pelo Instituto Trata Brasil. Dados coletados nesse ano identificam que das 20 piores cidades no ranking de saneamento, o Norte e Nordeste contam com 10 municípios e destes 8 são do Norte. Só no Amazonas tem quase 60 mil casos confirmados, mais de 2 mil e quinhentos pessoas morreram.

No decorrer do texto, penso que deixei claro a minha opinião sobre o Brasil ter um maior índice do que os outros países vizinhos. “E daí?” o que podemos fazer? No que a Engenharia Civil e Ambiental podem contribuir? A resposta é clara, temos que universalizar o saneamento básico no país. Existe uma lei que garante que todo o cidadão brasileiro tem o direito e tem que ter saneamento básico. A lei 11.445 de 2007 é a que estabelece as diretrizes do governo federal diante a questão do saneamento e o principal item é a universalização do acesso. É o momento propício para levarmos o debate da importância do saneamento básico para a casa de cada brasileiro, a grande massa de nossa população não sabe desse direito. O engenheiro civil e ambiental tem o dever moral de cobrar investimentos nas áreas de abastecimento, tratamento e esgoto. O bonde está passando, não podemos perder. Com a cobrança de planejamentos, pesquisas, investimentos nas Universidades e criação de novas tecnologias, podemos participar do combate não apenas da pandemia, mas também no combate das diversas doenças que se proliferam por falta de algo tão essencial como o saneamento.

A comunidade acadêmica deve se aproximar mais da população, não podemos ser negligentes, melhor dizendo, não podemos continuar negligentes. As pessoas carecem de conhecimentos técnicos e muitos profissionais tiveram suas formações em Instituições públicas que são custeadas pelo povo, este é um bom momento para retribuir todo o dinheiro que a sociedade carente investiu para a construção do conhecimento; mais do que justo esse conhecimento ser repassado. Não falo para a comunidade cientifica fazer tudo sozinha, digo que só irá conseguir fazer com o apoio da população.

Sei que não se trata de um texto grandioso, e nem era essa a pretensão, esta é apenas minha opinião sobre o momento atual, você é dispensado do dever de concordar...

 

(Os dados aqui contidos são referentes à data da última revisão do texto)

Horácio J. B. Neto

Estudante de Engenharia Civil do Instituto Federal de Goiás / Campus Uruaçu

Ex-vice-presidente do C.A. de Engenharia Cvil / IFG-Campus Uruaçu

Ex-diretor da União Brasileira dos Estudantes Secundarista - UBES

horacio.neto@academico.ifg.edu.br

 

  • Compartilhe
  • Compartilhar no Facebook
  • Compartilhar no Twitter
  • Compartilhar no WhatsApp

Artigo: Pandemia e daí, Engenharia, o que você vai fazer? Por Horácio J. B. Neto

O mundo está vivendo uma situação atípica, estamos em uma pandemia em que não se tem perspectivas de quando ela irá ter fim. Uma nova doença, um vírus, coloca a humanidade de joelhos perante tal situação. Parece um filme com roteiro norte-americano, e que a qualquer momento os EUA irão nos salvar, mas ao invés disso, são um dos países mais afetados. Globalmente temos 9.394.558 casos confirmados, 4.716.476 recuperados e 481.078 mortos.

A situação do Brasil não é boa, até o presente momento em que escrevo, somos o país mais afetado pela COVID-19 na América do Sul e os EUA o mais afetado na América do Norte, que ironia do destino. Pode juntar todos os países da América do Sul que não dará o número de mortos e infectados em nosso território. Muitos falavam sem embasamento científico que o Brasil não seria afetado, pois o clima é tropical e que o corona tem mais potencial de contaminação em países de clima frio; Mas não é isso que estamos vendo no continente Sul-americano. A Argentina tem clima frio e o Uruguai também, mesmo assim estão tendo controle sobre o problema pelo qual o mundo anda agonizando. Os hermanos argentinos possuem 55.330 casos confirmados e 1.184 mortes, já os uruguaios 919 casos confirmados e 26 mortes. Já a nação brasileira tem mais de 1 milhão e duzentos mil casos confirmados e mais de 55 mil mortos. Mas então porque os países vizinhos mostram números bem inferiores aos nossos? É apenas a falta de responsabilidade de algumas pessoas, em insistir em não cumprir o isolamento? Irei expor meu ponto de vista para essa pergunta a que muitos se fazem. A população e governantes cobram muitas providências dos profissionais da Saúde, às vezes os sufocam, e nós da área de Engenharia Civil, não podemos contribuir em nada? Umas das coisas que nós estudantes de engenharia civil e profissionais já diplomados aprendemos nas Universidades e Instituições de Ensino é que o Saneamento Básico é algo fundamental para se evitar a proliferação de doenças, ou seja, é algo totalmente ligado à economia e ao momento que estamos vivenciando.

O Instituto Trata Brasil diz que “Saneamento é o conjunto de medidas que visa preservar ou modificar as condições do meio ambiente com a finalidade de prevenir doenças e promover a saúde, melhorar a qualidade de vida da população e à produtividade do indivíduo e facilitar a atividade econômica.”. Outra definição bem conhecida de saneamento básico é “O saneamento é o gerenciamento ou controle dos fatores físicos que podem exercer efeitos nocivos ao homem, prejudicando seu bem-estar físico, mental e social.”. Então podemos concluir que o saneamento interfere na saúde, no emocional e na atividade econômica e social.

Segundo dados do Banco Mundial, nos últimos anos mais de 96% da população do Uruguai conta com saneamento básico e a Argentina mais de 97%. Já no Brasil a conjuntura é totalmente diferente, pois o Instituto Trata Brasil apresentou estudo em que revela que 48% da população brasileira não possuui coleta de esgoto e que 35 milhões não têm acesso à água tratada. Estes números são alarmantes.

Neste último período a Região Norte é a que mais teve crescimento no caso de COVID-19; isso poderia ser até uma surpresa para alguns, pois como mencionei anteriormente, foi divulgado que em regiões de calor o potencial de transmissão é maior. Mas isso se não caiu está caindo por terra. Os nortistas são os que mais sofrem com a falta de saneamento e isso é comprovado cientificamente pelo Instituto Trata Brasil. Dados coletados nesse ano identificam que das 20 piores cidades no ranking de saneamento, o Norte e Nordeste contam com 10 municípios e destes 8 são do Norte. Só no Amazonas tem quase 60 mil casos confirmados, mais de 2 mil e quinhentos pessoas morreram.

No decorrer do texto, penso que deixei claro a minha opinião sobre o Brasil ter um maior índice do que os outros países vizinhos. “E daí?” o que podemos fazer? No que a Engenharia Civil e Ambiental podem contribuir? A resposta é clara, temos que universalizar o saneamento básico no país. Existe uma lei que garante que todo o cidadão brasileiro tem o direito e tem que ter saneamento básico. A lei 11.445 de 2007 é a que estabelece as diretrizes do governo federal diante a questão do saneamento e o principal item é a universalização do acesso. É o momento propício para levarmos o debate da importância do saneamento básico para a casa de cada brasileiro, a grande massa de nossa população não sabe desse direito. O engenheiro civil e ambiental tem o dever moral de cobrar investimentos nas áreas de abastecimento, tratamento e esgoto. O bonde está passando, não podemos perder. Com a cobrança de planejamentos, pesquisas, investimentos nas Universidades e criação de novas tecnologias, podemos participar do combate não apenas da pandemia, mas também no combate das diversas doenças que se proliferam por falta de algo tão essencial como o saneamento.

A comunidade acadêmica deve se aproximar mais da população, não podemos ser negligentes, melhor dizendo, não podemos continuar negligentes. As pessoas carecem de conhecimentos técnicos e muitos profissionais tiveram suas formações em Instituições públicas que são custeadas pelo povo, este é um bom momento para retribuir todo o dinheiro que a sociedade carente investiu para a construção do conhecimento; mais do que justo esse conhecimento ser repassado. Não falo para a comunidade cientifica fazer tudo sozinha, digo que só irá conseguir fazer com o apoio da população.

Sei que não se trata de um texto grandioso, e nem era essa a pretensão, esta é apenas minha opinião sobre o momento atual, você é dispensado do dever de concordar...

 

(Os dados aqui contidos são referentes à data da última revisão do texto)

Horácio J. B. Neto

Estudante de Engenharia Civil do Instituto Federal de Goiás / Campus Uruaçu

Ex-vice-presidente do C.A. de Engenharia Cvil / IFG-Campus Uruaçu

Ex-diretor da União Brasileira dos Estudantes Secundarista - UBES

horacio.neto@academico.ifg.edu.br

 

Publicidade

Fale com a redação!

Envie sua mensagem, estaremos respondendo assim que possível ; )