A estagnação ou cortes em benefícios sociais e previdenciários poderão causar uma retração severa à atividade econômica em cidades do interior do país. O alerta é de um levantamento recente divulgado pelo Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades (Made), da Universidade de São Paulo (USP).
De acordo com a pesquisa, repasses como aposentadorias, Bolsa Família e Benefício de Prestação Continuada (BPC) possuem um peso vital nas finanças dessas localidades. Nesses territórios, eles chegam a compor quase metade do orçamento das famílias mais vulneráveis.
Como esses recursos são direcionados quase totalmente para suprir necessidades básicas, o dinheiro movimenta o comércio de forma imediata. Isso sustenta postos de trabalho e preserva a arrecadação das prefeituras, conforme explica a economista Luiza Nassif, co-diretora do Made-USP.
O estudo aponta que, dos 5.569 municípios brasileiros, cerca de 4 mil estão fora dos grandes centros urbanos. Nessas regiões, a proporção das transferências públicas na economia local costuma ser o dobro se comparada às capitais e regiões metropolitanas.
Impactos futuros
Os pesquisadores projetaram os reflexos econômicos para o interior considerando diferentes cenários de reajuste. A simulação comparou o período de ganhos reais entre 2022 e 2025 com o intervalo anterior, marcado pelo congelamento dos valores.
Sem a valorização real, a renda agregada do interior sofreria uma queda estimada entre 6,8% e 10,8%. O reflexo disso seria uma reação em cadeia prejudicial para toda a economia regional.
Os estados mais afetados seriam Rio Grande do Norte, Amapá e Piauí, com perdas projetadas entre 17% e 18%. Já em estados como São Paulo, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro, o prejuízo potencial ficaria em torno de 6,5%.
Os efeitos na pobreza
Além do impacto financeiro nos municípios, o levantamento enfatiza que os repasses federais cumprem um papel fundamental no combate à extrema vulnerabilidade social.
Simulações indicam que a ausência de reajustes reais entre 2022 e 2025 teria empurrado cerca de 2,7 milhões de pessoas para a linha da pobreza em cidades do interior, sendo 2,4 milhões na extrema pobreza.
O maior volume absoluto de novas pessoas em situação de pobreza estaria concentrado em estados como Bahia, São Paulo e Minas Gerais.

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