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Sábado, 17 de Outubro 2026
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USP alerta que estagnação de benefícios sociais pode gerar retração em municípios

Pesquisa aponta que cortes em programas como o Bolsa Família ameaçam o comércio e as finanças de cidades do interior brasileiro.

Redação
Por Redação
USP alerta que estagnação de benefícios sociais pode gerar retração em municípios
© Fernando Frazão/Agência Brasil
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A estagnação ou cortes em benefícios sociais e previdenciários poderão causar uma retração severa à atividade econômica em cidades do interior do país. O alerta é de um levantamento recente divulgado pelo Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades (Made), da Universidade de São Paulo (USP).

De acordo com a pesquisa, repasses como aposentadorias, Bolsa Família e Benefício de Prestação Continuada (BPC) possuem um peso vital nas finanças dessas localidades. Nesses territórios, eles chegam a compor quase metade do orçamento das famílias mais vulneráveis.

Como esses recursos são direcionados quase totalmente para suprir necessidades básicas, o dinheiro movimenta o comércio de forma imediata. Isso sustenta postos de trabalho e preserva a arrecadação das prefeituras, conforme explica a economista Luiza Nassif, co-diretora do Made-USP.

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O estudo aponta que, dos 5.569 municípios brasileiros, cerca de 4 mil estão fora dos grandes centros urbanos. Nessas regiões, a proporção das transferências públicas na economia local costuma ser o dobro se comparada às capitais e regiões metropolitanas.

Impactos futuros

Os pesquisadores projetaram os reflexos econômicos para o interior considerando diferentes cenários de reajuste. A simulação comparou o período de ganhos reais entre 2022 e 2025 com o intervalo anterior, marcado pelo congelamento dos valores.

Sem a valorização real, a renda agregada do interior sofreria uma queda estimada entre 6,8% e 10,8%. O reflexo disso seria uma reação em cadeia prejudicial para toda a economia regional.

Os estados mais afetados seriam Rio Grande do Norte, Amapá e Piauí, com perdas projetadas entre 17% e 18%. Já em estados como São Paulo, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro, o prejuízo potencial ficaria em torno de 6,5%.

Os efeitos na pobreza

Além do impacto financeiro nos municípios, o levantamento enfatiza que os repasses federais cumprem um papel fundamental no combate à extrema vulnerabilidade social.

Simulações indicam que a ausência de reajustes reais entre 2022 e 2025 teria empurrado cerca de 2,7 milhões de pessoas para a linha da pobreza em cidades do interior, sendo 2,4 milhões na extrema pobreza.

O maior volume absoluto de novas pessoas em situação de pobreza estaria concentrado em estados como Bahia, São Paulo e Minas Gerais.

FONTE/CRÉDITOS: Bruno Bocchni - Repórter da Agência Brasil

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