A Petrobras anunciou, nesta sexta-feira (2), uma segunda descoberta de petróleo no poço Morpho, localizado na promissora Margem Equatorial. A perfuração ocorreu em águas ultraprofundas na bacia da Foz do Amazonas, a cerca de 175 quilômetros da costa do Amapá. O achado reforça a estratégia da estatal de mapear novas fronteiras energéticas para garantir a segurança do abastecimento nacional.
O poço, catalogado como 1-BRSA-1405-APS, está situado sob uma lâmina d’água de 2.886 metros de profundidade. Esta nova constatação ocorre logo após um primeiro indício positivo registrado em meados de agosto, consolidando as expectativas sobre a região.
A área é apontada por especialistas como o "novo pré-sal" brasileiro devido ao seu vasto potencial de extração. O otimismo técnico é impulsionado por descobertas recentes e expressivas realizadas por outros países na mesma faixa geológica, como a Guiana e o Suriname.
Avaliação da qualidade do óleo
Segundo a petroleira, a continuidade dos trabalhos de perfuração após o primeiro achado visava mapear camadas ainda mais profundas. Os novos indícios de hidrocarbonetos foram identificados por meio de análises de perfis elétricos, amostras de fluidos e fragmentos de rocha coletados no local.
Enquanto o óleo encontrado na primeira etapa foi classificado como de boa qualidade, o material desta segunda descoberta ainda passará por testes laboratoriais. A Petrobras informou que os dados coletados vão ampliar o conhecimento geológico sobre a Bacia Sedimentar da Foz do Amazonas.
Recomposição de reservas e transição
A exploração do bloco FZA-M-59 faz parte de um plano de longo prazo para recompor as reservas de óleo e gás do país. Sem novas descobertas, a produção do pré-sal no Sudeste deve iniciar um processo de declínio natural na próxima década.
A concessão da área pertencia originalmente à multinacional britânica BP, que venceu o leilão em 2013. Em 2021, a Petrobras assumiu a operação do bloco após uma transferência estratégica de direitos de exploração.
Aspectos ambientais e licenciamento
A licença para a atividade foi concedida pelo Ibama em outubro de 2025, após intensos debates entre setores governamentais, a indústria petrolífera e grupos ambientalistas. A Petrobras assegura que os procedimentos seguem rígidos protocolos de segurança e respeito socioambiental.
Para mitigar preocupações, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, destacou que o poço está localizado a 540 quilômetros de distância da foz real do Rio Amazonas, minimizando os riscos diretos à costa.
Estimativa de potencial energético
Estudos da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) indicam que a Bacia da Foz do Amazonas pode abrigar até 10 bilhões de barris de óleo equivalente. Para comparação, a ANP aponta que o Brasil encerrou 2025 com cerca de 70 bilhões de barris em reservas totais de petróleo.

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