O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, conversaram por telefone em um diálogo que reforça a retomada e o aprofundamento das relações bilaterais entre Brasil e EUA, abordando temas centrais da agenda econômica e de segurança internacional. A declaração foi compartilhada pelo próprio presidente brasileiro em sua conta no X (antigo Twitter), descrevendo uma conversa franca e abrangente sobre cooperação estratégica.
Segundo o texto divulgado, os dois líderes trocaram informações sobre indicadores econômicos dos dois países, com ambos destacando perspectivas positivas de crescimento — algo que Trump ressaltou como benéfico não só para Brasil e Estados Unidos, mas para toda a região. Esse contato trilha um período de melhora nas relações comerciais, após a administração americana ter começado a reduzir parte significativa das tarifas sobre produtos brasileiros, uma reivindicação brasileira de longa data.
Lula reiterou ao presidente norte-americano uma proposta formal — enviada ao Departamento de Estado dos EUA em dezembro — para fortalecer a cooperação bilateral no combate ao crime organizado. O presidente brasileiro destacou áreas essenciais como a repressão à lavagem de dinheiro, ao tráfico de armas, congelamento de ativos de grupos criminosos e o intercâmbio de dados sobre transações financeiras. Trump teria recebido essas propostas “de forma positiva”, sinalizando abertura para avanços nessas áreas.
Outro ponto de destaque foi a proposta brasileira relacionada ao chamado “Conselho da Paz” — iniciativa apresentada pelos EUA que, segundo Lula, deve se concentrar nos desafios em Gaza e incluir um assento para a Palestina. Nesse contexto, o presidente brasileiro reforçou a necessidade de uma reforma ampla da Organização das Nações Unidas (ONU), com ampliação do número de membros permanentes no Conselho de Segurança das Nações Unidas, uma reivindicação antiga de Brasília.
A conversa também abarcou temas de política regional: Lula e Trump trocaram impressões sobre a situação na Venezuela, com o presidente brasileiro ressaltando a importância de preservar paz e estabilidade na região e trabalhar pelo bem-estar da população venezuelana.
Ao final do telefonema, que durou cerca de 30–40 minutos, os dois presidentes acordaram realizar um encontro presencial em Washington após as viagens oficiais de Lula à Índia e à Coreia do Sul em fevereiro, com data a ser confirmada em breve — um gesto que simboliza o interesse de ambos os países em consolidar a parceria estratégica.
Em meio a desafios recentes nas relações — especialmente envolvendo tarifas comerciais e sanções, que chegaram a tensionar a relação — esse telefonema marca um momento de tentativa de construção de canais mais estáveis de diálogo diplomático e cooperação multissetorial entre Brasil e Estados Unidos.

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