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Quarta-feira, 03 de Junho 2026
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Entre pistas, discos e gerações: Bruno Caveira celebra 20 anos de carreira e revisita a história da cena alternativa de Goiânia

O DJ comemora sua trajetória com festa 20 ANOS DE SOM no Subverso Coffee Culture, dia 6 de maio

Redação
Por Redação
Entre pistas, discos e gerações: Bruno Caveira celebra 20 anos de carreira e revisita a história da cena alternativa de Goiânia
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Quando Bruno Caveira iniciou sua carreira como DJ, em 2006, Goiânia vivia um cenário cultural onde festas independentes e experiências musicais alternativas buscavam espaço entre bares, casas noturnas e ocupações culturais. Duas décadas depois, o DJ comemora uma trajetória que atravessou transformações tecnológicas, mudanças no comportamento do público e a consolidação de novas cenas musicais na capital. A festa 20 ANOS DE SOM  acontece no dia 6 de junho, no Subverso Coffee Culture, em Goiânia, a partir das 21h. 

A programação reúne artistas de diferentes gerações e pesquisas musicais, passando pela música brasileira, soul, jazz, afrobeat, cumbia, house e disco. Entre os convidados estão DJ Bill, de Belo Horizonte, Mark e Pacheco, trazendo Vinil Set,  DJ Ju Gonzaga, junto com a força eletrônica de  Cadelacéu e Manga.

"É uma celebração da cultura do DJ, um encontro entre gerações, estilos musicais e memórias coletivas construídas ao longo de duas décadas de pesquisa e circulação cultural. Quero trazer pessoas queridas para perto de mim e mostrar todos os estilos que uma noite pode abraçar", conta Caveira.

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Das coleções de CDs às primeiras pistas

Naturalmente apaixonado por música, Caveira não imaginava que transformaria o hobby em profissão. Quando chegou a Goiânia, na virada dos anos 2000, trabalhava com representação comercial e cursava Relações Internacionais. O interesse pela música, porém, já ocupava grande parte de seu tempo e de seus recursos. "Eu gastava praticamente todo o meu dinheiro comprando música", relembra.

Em 2006, Bruno passou a dividir casa com dois DJs que lhe ensinaram os primeiros passos da discotecagem. Na época, a tecnologia era outra: os sets eram construídos principalmente com CDs, enquanto arquivos digitais ainda circulavam lentamente pela internet.

Sua estreia aconteceu em um espaço conhecido como Caverna, próximo à BR-153, durante uma festa de música eletrônica. Enquanto a pista principal era dedicada ao trance, Bruno assumiu o chamado "Chill Out", apresentando uma seleção mais contemplativa, misturando trip-hop, dub e sonoridades britânicas.

A apresentação chamou a atenção de produtores presentes no evento e abriu portas para novas oportunidades. Ainda naquele ano, ele passou por festivais como a Transformation, em Pirenópolis, e a Earth Dance, em Corumbá de Goiás.

A cidade que mudou junto com a música

Bruno acompanhou de perto as transformações da noite goianiense. Se no início dos anos 2000 a cena alternativa estava concentrada principalmente em espaços ligados ao rock, a década seguinte trouxe novas influências e ampliou o repertório cultural da cidade.

Um dos marcos dessa mudança foi o projeto Quinta Ativa, realizado no Centro Cultural Martim Cererê a partir de 2010. Foi ali que Bruno aprofundou sua pesquisa em música brasileira e passou a construir uma identidade artística baseada na mistura entre ritmos nacionais e linguagens eletrônicas.

"Foi uma época muito importante. O Martim estava extremamente efervescente e havia uma abertura enorme para novas pesquisas musicais", lembra o DJ. Shows de artistas ligados ao manguebeat, à nova música brasileira e às cenas independentes começaram a ocupar espaço em Goiânia, impulsionados também pelo crescimento de festivais como o Bananada.

Ao mesmo tempo, casas como Fiction, Metrópolis, Diablo, Shiva e, posteriormente, o Complexo ajudaram a consolidar uma vida noturna mais diversa. Para Bruno, essa transformação contribuiu para ampliar o interesse do público por sonoridades que escapavam dos circuitos mais tradicionais. "Goiânia sempre teve potencial para ser uma cidade plural. Hoje a gente vê um público interessado em descobrir música nova, em conhecer outras culturas e em ocupar esses espaços", ressalta o DJ e produtor.

DJ e pesquisador

Ao longo da carreira, Bruno Caveira deixou de enxergar a discotecagem como entretenimento e passou a compreendê-la como uma forma de curadoria cultural. Seu trabalho envolve pesquisa constante, escuta ativa e disposição para ir contra preconceitos musicais construídos ao longo do tempo.

Ele cita o funk como um exemplo. Embora inicialmente tivesse resistência ao gênero, a convivência com bailes, artistas e públicos de diferentes cidades ampliou sua compreensão sobre a riqueza cultural desse universo. O mesmo aconteceu com o trance, estilo que marcou seu início profissional.

Essa postura fez com que a pesquisa musical se tornasse um processo permanente de aprendizado. Ao longo dos anos, Bruno acumulou experiências em diferentes regiões do país, especialmente em Belém, Rio de Janeiro e São Paulo, onde teve contato direto com expressões como carimbó, guitarrada, aparelhagem e diversas vertentes da música eletrônica brasileira. Também dividiu eventos com nomes importantes da música nacional, entre eles Marina Lima, Tom Zé, FBC, Jaloo, Dona Onete, Elza Soares e Hermeto Pascoal.

Para ele, cada encontro amplia a compreensão sobre o papel do DJ como mediador cultural. "O DJ é um contador de histórias. A música passa por mim, chega na pista e volta em forma de resposta do público. Quando essa troca acontece, é ali que surge o momento artístico", destaca.

Permanência em Goiânia 

Mesmo com convites e oportunidades em outras cidades, Bruno escolheu manter Goiânia como base. A decisão envolve razões afetivas, familiares e também um compromisso com a construção cultural da cidade. Pai de Raul, de 14 anos, ele afirma que permanecer próximo ao filho foi um fator importante para seguir em Goiás. Mas existe também uma motivação ligada ao fortalecimento da diversidade cultural local.

"Eu acredito que Goiânia pode ser muito mais plural. A cidade tem público, tem artistas, tem espaços e tem potencial para acolher diferentes manifestações". Para ele, os festivais, coletivos e produtores independentes que surgiram nas últimas décadas demonstram que existe um interesse crescente por experiências musicais fora dos circuitos convencionais.

Em 20 ANOS DE SOM Bruno Caveira também celebra a permanência de uma cena underground construída coletivamente. Uma história feita de pistas, encontros, descobertas e resistência cultural, e que continua sendo escrita a cada novo som colocado para tocar.

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