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Quarta-feira, 26 de Agosto 2026
Cidades

De mutirões a grandes obras: gestão Sandro Mabel muda o ritmo de Goiânia

Em pouco mais de um ano e meio de mandato, prefeito aposta em recuperação da infraestrutura, modernização do trânsito, ampliação de vagas e tecnologia na educação e reorganização da saúde; capital acumula centenas de quilômetros de asfalto novo e prepara novas intervenções estruturantes.

Redação
Por Redação
De mutirões a grandes obras: gestão Sandro Mabel muda o ritmo de Goiânia
Alex Malheiros/Secom Goiânia.
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Quando Sandro Mabel assumiu a Prefeitura de Goiânia, em janeiro de 2025, encontrou uma cidade pressionada por problemas que estavam diretamente diante dos olhos da população. Buracos, lixo, mato alto, dificuldades na saúde, congestionamentos e uma extensa lista de demandas reprimidas deram o tom dos primeiros meses da nova administração.

A estratégia inicial foi colocar a Prefeitura nas ruas. Mutirões de limpeza e manutenção se espalharam pelas diferentes regiões de Goiânia e passaram a marcar o início da gestão. Nos primeiros meses, foram realizadas dezenas de operações envolvendo tapa-buracos, roçagem, poda de árvores, retirada de entulhos, varrição e recuperação de espaços públicos.

Em menos de dois meses, segundo balanço publicado à época pelo Mais Goiás, mais de 200 bairros já haviam recebido algum tipo de intervenção dos mutirões municipais. A operação havia retirado mais de 20 mil toneladas de entulho e cerca de 1,5 mil toneladas de materiais recicláveis. A iniciativa ajudou Mabel a estabelecer uma característica que permanece presente na administração: acompanhamento frequente de serviços nas ruas e cobrança por execução.

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Passada a fase mais emergencial, o desafio tornou-se outro: transformar ações pontuais em mudanças estruturais.

Uma cidade que volta a receber asfalto

É na infraestrutura que uma das maiores vitrines da administração ganhou forma.

O Programa Asfalto Novo avançou por todas as regiões da capital. Em junho deste ano, 338 quilômetros de ruas e avenidas em 48 bairros já haviam passado por obras de recapeamento. Em julho, o número se aproximava de 350 quilômetros, distribuídos por mais de 60 bairros.

Em agosto, novas frentes elevaram ainda mais o volume das intervenções. Somente nos setores Coimbra e Vila Aguiar, a Prefeitura autorizou o recapeamento de mais de 70 vias, com aproximadamente 20 quilômetros de extensão e investimento de R$ 6,1 milhões. Segundo o balanço divulgado pela administração, o programa já se aproximava da marca de 450 quilômetros de pavimento recuperado.

Na Região Norte, outra etapa recuperou 44,7 quilômetros em 111 ruas e avenidas dos setores Urias Magalhães, Vila Nossa Senhora Aparecida e Balneário Meia Ponte, com investimentos de R$ 16 milhões.

O programa não se resume à aplicação de uma nova camada de asfalto. Em diversos pontos são realizadas fresagem do pavimento antigo, recuperação de base, remendos profundos, aplicação de concreto betuminoso e nova sinalização.

A meta anunciada pelo município é chegar a pelo menos 800 quilômetros de vias recuperadas durante o mandato — número que posteriormente chegou a ser ampliado pelo prefeito para 1.000 quilômetros.

Trânsito começa a sentir as mudanças

Outra área em que Mabel colocou sua marca desde os primeiros meses foi a mobilidade.

O programa Nova Mobilidade alterou cruzamentos, implantou direitas livres, modificou faixas de circulação, ampliou o sincronismo dos semáforos e criou um Centro de Controle Operacional para acompanhar o trânsito da cidade.

Em maio de 2025, levantamento divulgado pela gestão apontava melhora média de aproximadamente 30% na fluidez de alguns dos principais corredores. No eixo formado pelas avenidas Castelo Branco e Mutirão, por exemplo, a velocidade média no horário de pico passou de 16,4 km/h para 21,3 km/h após mudanças no trânsito e no sistema semafórico.

Mais recentemente, uma mudança importante chegou ao transporte coletivo.

Neste mês de agosto, Mabel entregou a metronização completa do BRT Leste-Oeste. O corredor entre os terminais Novo Mundo e Padre Pelágio passou a operar com vias exclusivas, sincronização semafórica, comunicação em tempo real e recursos de inteligência artificial.

Segundo a Prefeitura, a mudança reduziu entre 15 e 20 minutos o tempo de deslocamento ao longo dos 14 quilômetros do corredor. Goiânia passou a contar com 18 quilômetros de corredores equipados com o sistema de metronização.

Educação sai da fila de vagas para a era digital

Se infraestrutura e trânsito produzem mudanças percebidas rapidamente nas ruas, a educação municipal passou por uma transformação menos visível, mas de grande alcance.

A administração iniciou o mandato com aproximadamente 10 mil crianças aguardando vagas na Educação Infantil. Por meio de novas salas, convênios, reorganização da rede e mutirões, a Prefeitura afirma ter suprido o déficit ainda em 2025.

No início do ano letivo de 2026, a rede registrava aproximadamente 115 mil estudantes distribuídos por 374 unidades educacionais e anunciava a criação de 10 mil novas vagas na Educação Infantil desde o começo da gestão.

Paralelamente, Mabel ampliou uma política de descentralização de recursos.

Por meio do Programa de Autonomia Financeira da Instituição Educacional, o Pafie, R$ 222 milhões foram transferidos diretamente às unidades em 2025. No primeiro quadrimestre de 2026, outros R$ 107,4 milhões foram destinados às escolas e Cmeis para reformas, manutenção, aquisição de equipamentos e melhorias definidas pelas próprias comunidades escolares.

A tecnologia também virou uma das apostas da administração.

Foram adquiridos mais de 15 mil tablets, com investimento de R$ 23,6 milhões, além de 1.475 lousas digitais, milhares de notebooks e computadores. Aproximadamente 75 mil estudantes deverão utilizar os tablets nas escolas municipais.

Os indicadores educacionais também trouxeram boas notícias.

O Ideb de 2025 colocou a rede municipal de Goiânia na nota 6,6, a maior alcançada pelo município na série divulgada pelo MEC. Algumas escolas tiveram desempenho ainda superior. A Escola Municipal de Tempo Integral Professora Maria Nosídia Palmeira das Neves, na Região Noroeste, chegou à nota 8,3.

Agora, a Prefeitura tenta transformar as ações em política de longo prazo. O programa Educa Mais Goiânia estabeleceu 93 metas para serem atingidas até 2028, entre elas ampliação da educação integral, universalização da internet, alfabetização das crianças até o segundo ano e melhoria dos indicadores de aprendizagem.

Saúde: de uma crise à tentativa de reorganização

Poucas áreas representavam tamanho desafio para Sandro Mabel quanto a saúde.

A nova administração assumiu meses depois de uma grave crise que havia levado inclusive à intervenção estadual na rede municipal no final de 2024.

Nos primeiros 100 dias, a Prefeitura anunciou atendimento infantil 24 horas nas 13 unidades de urgência e emergência e a abertura ou reativação de 20 leitos de UTI — dez na Santa Casa e dez na Maternidade Célia Câmara.

A gestão também trabalhou para restabelecer pagamentos a prestadores. Entre as medidas adotadas esteve a regularização de repasses do SUS e a negociação da dívida acumulada com o Hospital Araújo Jorge, referência no tratamento contra o câncer.

Em 2026, Mabel levou para a saúde um modelo utilizado na educação.

O Programa de Autonomia Financeira das Unidades de Saúde (Pafus) foi criado por lei para permitir que unidades recebam dinheiro diretamente e possam resolver pequenas demandas sem depender de longos processos burocráticos. A gestão anunciou R$ 20 milhões para o programa.

Ao mesmo tempo, começa uma etapa de expansão física da rede.

A administração anunciou a construção de uma nova UPA para a Região de Campinas, no Setor Cidade Jardim, em substituição ao atual Cais Campinas. O projeto faz parte de um planejamento que prevê oito novas UPAs e novas Unidades Básicas de Saúde, com participação de recursos municipais e federais.

A saúde, portanto, continua sendo talvez o maior teste da administração. O quadro herdado era grave e a recuperação não ocorre da noite para o dia, mas a gestão procura deixar para trás uma fase essencialmente emergencial e avançar para uma reestruturação da rede.

Enfrentamento aos alagamentos

Outra mudança importante está abaixo do asfalto.

Depois de décadas de problemas recorrentes com enxurradas, Goiânia começou a preparar uma obra de grandes proporções para reduzir os alagamentos na região da bacia do Córrego Botafogo.

O projeto anunciado por Mabel prevê investimento aproximado de R$ 40 milhões na construção de uma estrutura capaz de armazenar cerca de 100 milhões de litros de água, na altura da Vila Redenção.

O objetivo é diminuir a pressão provocada pelas chuvas sobre pontos historicamente críticos, especialmente a Marginal Botafogo e a Avenida Jamel Cecílio.

A obra representa uma mudança de abordagem: em vez de atuar apenas depois que os alagamentos acontecem, a Prefeitura tenta criar uma solução preventiva para parte do problema de drenagem da capital.

Habitação e regularização fundiária

A gestão também colocou a regularização de imóveis e a construção de moradias populares entre suas prioridades.

Em maio deste ano, a Prefeitura entregou 100 escrituras a moradores do Residencial Goiânia Viva e anunciou a regularização de outras 500 propriedades do bairro. Algumas famílias esperavam havia mais de três décadas pelo documento definitivo.

Segundo a administração, quase 7 mil famílias já haviam sido beneficiadas por ações de regularização, e a meta é chegar a 40 mil escrituras até 2028.

Na habitação, Goiânia trabalha em parceria com os governos estadual e federal em projetos que fazem parte de um planejamento de até 15 mil novas moradias. Entre os empreendimentos estão os residenciais Iris Rezende IV, V e VI, no Conjunto Vera Cruz, que juntos somam centenas de apartamentos destinados gratuitamente aos beneficiários.

Zeladoria sem abandonar as grandes obras

Mesmo com o avanço das obras maiores, Mabel não abandonou uma das marcas do começo de seu governo.

A Prefeitura continua realizando mutirões, recuperação de praças, monumentos e espaços públicos. Em junho, por exemplo, foram entregues as revitalizações dos monumentos dos Três Marcos e Dois Marcos, na Avenida 85, com investimento de R$ 817,7 mil e correção de problemas estruturais.

Até medidas aparentemente menores passaram a integrar a tentativa de melhorar os serviços oferecidos ao cidadão.

Neste mês, a administração inaugurou na Central de Óbitos, no Setor Aeroporto, um posto para emissão gratuita de Certidões de Óbito durante a noite, finais de semana e feriados, resultado de parceria com o Tribunal de Justiça de Goiás e os cartórios de registro civil.

Uma gestão que começa a deixar marcas

Sandro Mabel ainda não chegou à metade do mandato e, naturalmente, uma parcela considerável dos projetos anunciados dependerá dos próximos dois anos para ser concluída e avaliada.

A saúde continua exigindo respostas. O trânsito de uma metrópole com mais de 1,4 milhão de habitantes seguirá apresentando gargalos. A drenagem exige investimentos muito superiores aos de uma única obra. E manter centenas de quilômetros de vias em boas condições é um desafio permanente.

Mas, olhando o caminho percorrido desde janeiro de 2025, é possível identificar uma mudança de escala.

Os mutirões que marcaram os primeiros meses deram lugar a centenas de quilômetros de recapeamento. As primeiras experiências de sincronização semafórica evoluíram para corredores de transporte metronizados. A abertura emergencial de vagas escolares foi acompanhada de investimentos em tecnologia, reformas e planejamento educacional. E a saúde, que começou sob o impacto de uma crise, entra em uma fase de descentralização de recursos e projetos de ampliação da estrutura.

Mabel imprimiu à Prefeitura um estilo baseado em presença nas ruas, cobrança de resultados e tentativa de acelerar a máquina pública.

Ainda haverá muito a ser entregue — e também muito a ser cobrado.

Mas, pouco mais de um ano e meio depois do início do mandato, uma constatação já pode ser feita: Goiânia está em movimento, e algumas das mudanças prometidas no início da gestão começam a sair dos projetos e ganhar forma na rotina da cidade.

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