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Quinta-feira, 08 de Outubro 2026
Política

Casos de violência política no Brasil têm mulheres como principais alvos

Estudo revela que candidatas sofreram mais da metade dos ataques registrados durante a campanha do primeiro turno das eleições de 2026.

Redação
Por Redação
Casos de violência política no Brasil têm mulheres como principais alvos
© Lula Marques/Agência Brasil.
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Durante a campanha eleitoral de 2026 no Brasil, a violência política atingiu patamares alarmantes, tendo as candidatas mulheres como as principais vítimas de ameaças e agressões. Um levantamento recente revela o avanço dessa hostilidade no país.

O cenário crítico é ilustrado pelas graves ameaças de morte e violência sexual denunciadas pela deputada federal eleita Ana Elisa (PT-MG). Seu caso reflete uma realidade que afeta dezenas de parlamentares e postulantes a cargos públicos em todo o território nacional.

De acordo com dados das organizações Terra de Direitos e Justiça Global, foram mapeados 134 casos de violência durante os 50 dias de campanha até o primeiro turno. Essa média representa uma ocorrência a cada nove horas, confirmando a escalada da agressividade no debate público.

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As mulheres foram as principais afetadas, somando 70 das vítimas (52,2% do total). Quando analisados apenas os episódios direcionados a candidaturas, a proporção sobe para 58,8%, evidenciando que as mulheres sofrem ataques desproporcionais, mesmo ocupando apenas um terço das vagas disputadas.

Impacto na democracia e subnotificação

Para Gisele Barbieri, coordenadora da Terra de Direitos, essa dinâmica visa intimidar a atuação feminina e enfraquecer a democracia. Ela alerta para a subnotificação dos casos, já que o medo e a falta de respostas céleres do Estado desencorajam muitas vítimas de formalizarem as denúncias.

Embora a internet e as redes sociais facilitem ataques sistemáticos e exijam regulação, a maior parte dos registros de violência (71 casos) ainda ocorre presencialmente, nas ruas. O levantamento aponta um crescimento real em comparação ao primeiro turno de 2022, que registrou 121 ocorrências.

Recorte de raça e gênero

A pesquisa detalha que a maioria dos ataques contra mulheres envolve machismo ou misoginia (45 casos), seguidos por racismo (nove) e transfobia (cinco). Além disso, pessoas negras representaram 44,8% do total de vítimas mapeadas no período eleitoral, o que expõe as vulnerabilidades estruturais do país.

Até o fechamento do estudo, nenhum dos 134 casos resultou em punição efetiva aos autores, embora medidas protetivas de urgência tenham sido aplicadas. Geograficamente, os estados de São Paulo, Rio Grande do Norte e Minas Gerais lideraram o ranking de ocorrências registradas.

FONTE/CRÉDITOS: Luiz Cláudio Ferreira - Repórter da Agência Brasil

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